Humildade e capacidade de avaliar-se
considerando o que pensam seus subordinados não são características marcantes
dos líderes brasileiros mostra pesquisa realizada pela DBM, consultoria
especializada em gestão do capital humano. Estudo conduzido pela empresa junto a
460 executivos que ocupam posição de liderança explicita que os líderes se
percebem muito mais positivamente do que fazem suas equipes, seus pares e até
mesmo seus superiores.
“Nosso intento com a pesquisa foi
analisar a liderança apenas da perspectiva dos executivos que ocupam posições de
líderes, ou seja, daqueles que rotineiramente pensam na questão”, explica
Cláudio Garcia, presidente da DBM Brasil. Para o estudo, participaram apenas
profissionais que ocupam posições de gerencia, direção e presidência de
organizações em atuação no País.
Para verificar se existia e qual era a
diferença entre a auto-percepção que os líderes têm de si e a percepção deles a
partir da análise de seus liderados, a consultoria aplicou questionários
distintos aos entrevistados com a finalidade de cruzar as respostas obtidas.
Independentemente do questionário, porém, todos os participantes do estudo
responderam se acreditavam ou não atuar junto a um chefe cujo comportamento é
verdadeiramente o esperado de um líder.
Do total de entrevistados, apenas 16%
foram enfáticos e disseram que sim, trabalham com um chefe cuja atuação é a
esperada de um líder em todos os momentos. Mais que o dobro desta fatia - 33%
dos entrevistados – informou que frequentemente o chefe assume o comportamento
de líder. Para outros 32%, a atuação dos chefes como líder ocorre de maneira
parcial; e para 15%, se dá apenas algumas poucas vezes. Segundo 4% dos
entrevistados, há lacuna relevante de liderança, pelo fato de os líderes com os
quais convivem não atuarem como tal em momento algum.
O resultado difere
substancialmente daquele obtido quando é perguntado aos mesmos profissionais se
eles efetivamente atuam como líderes. “Quando chamados a se auto-avaliar, os
líderes parecem ser tendenciosos. Um ponto que evidencia isso é o fato de que
nenhum profissional disse que nunca ou raramente se comporta como líder”, diz
Garcia. “É algo que chama atenção”, completa o presidente da DBM.
Dos executivos que se
auto-avaliaram, 19,5% informaram que sempre atuam como verdadeiros líderes;
76,5% disseram se comportar como líder na maior parte do seu
tempo/frequentemente e apenas 4% responderam fazer isso algumas poucas
vezes. “Quando se auto-avaliaram por meio dos questionários, os líderes
expuseram uma percepção de sua performance muito melhor do que aquela que
merecem quando são avaliados por seus chefes ou colegas de trabalho que também
atuam em posição de chefia. Isso evidencia a distância significativa existente
entre como eles se vêem e como são vistos”, diz Garcia.
As diferenças se
acentuam ainda mais quando a comparação se dá com os líderes atuantes na
organização nas quais os profissionais trabalham e não apenas com seus líderes
imediatos. Uma vez perguntados se atuam em companhias em que outros
profissionais em posição de chefia se comportam como líderes exemplares, apenas
1% disse concordar totalmente com a informação. Outros 32% avaliam que isso
ocorre frequentemente, mas não é regra.
Já sobre “visualizarem
claramente outras pessoas em suas organizações com perfil de líder”, somente um
contingente de 18% respondeu que isso é um fato com o qual concordam
integralmente.
“Estas diferentes
percepções influenciam a forma como as pessoas se relacionam com seus líderes e
pares nos seus ambientes de trabalho e podem gerar ineficiência e baixa
produtividade principalmente quando se trata de tarefas que demandam interações.
É importante lembrar que as pessoas agem com base na percepção que têm dos
outros e não naquela que o outro acredita ser verdadeira”, afirma Garcia. “Além
disso, em geral, estas diferenças de percepções impedem o aprendizado entre as
pessoas e que a liderança fique a cargo de quem realmente domina melhor uma
determinada situação. Vale lembrar, claro, que, se um líder não entende como
seus liderados, pares e chefes o percebem, sua efetividade na organização fica
limitada e tende a ser prejudicada”, finaliza Garcia.
Fonte: Assessoria - Tree Comunicação
Em: 2/10/2009